CARTEIRAS DE BAIXA CORRELAÇÃO COM MERCADO SE DESTACAM

O momento entre o fim do ano passado e o início do atual ilustra bem o grau de imprevisibilidade que assola os mercados atualmente. Lá fora o mundo assistiu as incertezas ganharem corpo na encruzilhada do Brexit, no mais extenso “shutdown” da história do governo americano, nas idas e vindas do impasse comercial entre Estados Unidos e China, nos indícios de desaceleração do crescimento das economias avançadas, nas dúvidas sobre as perspectivas de lucros das companhias e nos sinais desencontrados sobre a política monetária dos EUA. No Brasil, todos esses temas ganharam ainda uma amplificação pelo fator político.

Esse tipo de cenário costuma ser um desafio para os investidores porque reúne variáveis demais. Afinal, ponderam gestores ouvidos pelo Valor, qual modelo econométrico conseguiria prever um fechamento de 35 dias do governo americano? Ainda mais motivado por uma queda de braço entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e a maioria oposicionista na Câmara dos Deputados sobre o financiamento do muro entre o país e o México?

Com um pano de fundo costurado em volatilidade, as estratégias de alocação que tenham baixa correlação com os mercados tradicionais ganham mais relevância. No Brasil, depois de uma primeira onda de fundos globais, começam a aparecer nas plataformas de investimento e na distribuição de instituições financeiras portfólios que buscam tanto diminuir o impacto dos fatores que estressam os mercados quanto ampliar os ganhos em momentos favoráveis.

São, em geral, fundos com mandato para obter retornos absolutos, ou seja, sem estar atrelados a um referencial de mercado. Essas carteiras têm liberdade para alocar recursos em classes alternativas líquidas, como fundos “long and short” — que podem adotar posições compradas para ganhar com a alta das ações ou vendidas, que lucram na queda —, imóveis, hedge funds e um amplo leque de possibilidades de pouca ou nenhuma correlação com o comportamento médio de mercados tradicionais, como bolsas e renda fixa.

O BTG Pactual enxerga a tendência de crescimento na demanda por um tipo de alocação mais tática em lugar de uma estratégia puramente defensiva ou direcional. Tanto que a casa pretende trazer nos próximos dois meses mais seis fundos de gestoras globais, cada qual com uma característica definida, afirma Marcos Pimentel, chefe de vendas internacionais do banco.

“Lançamos em dezembro o BTGP MFS, uma carteira de ‘total return’ [retorno absoluto] focado em ‘long and short’, além disso, nos próximos meses estamos trazendo um hedge fund ‘quant’ [quantitativo] e um fundo especializado em negociar crédito bancário no mercado secundário”, cita o executivo.

São estratégias que conseguem operar em qualquer condição de mercado. O “long and short”, explica Pimentel, pode assumir posições vendidas, compradas ou arbitrar preços de ações em qualquer mercado do mundo, conforme for mais vantajoso. Já o hedge fund quantitativo “digere terabytes de dados para criar várias carteiras de classes de ativos distintas”.

A gestora americana Franklin Templeton lançou no fim do ano passado no Brasil, junto com a K2, especializada em alternativas líquidas, o fundo Franklin K2 Alternative Strategies. “O mercado ficou ainda mais volátil”, afirma Marcus Vinícius Gonçalves, presidente da Franklin Templeton no Brasil. O executivo cita como exemplo as incertezas sobre os rumos das políticas monetárias dos bancos centrais. “A gente percebe um aumento de risco de ‘duration’ sobretudo na parte de renda fixa, porque ainda não se pode descartar chances de retomada de alta de taxas de juros nos EUA por conta de inflação e normalização do cenário. Avisamos os investidores a não serem complacentes”, pondera.

Segundo o gestor, os fundos de retorno absoluto ou alternativos líquidos têm como objetivo reduzir a volatilidade, ou seja, gerar retorno de maneira consistente, mas também proteger o capital quando o mercado está ruim. Para entender como funciona essa baixa correlação com movimentos dos mercados, basta olhar para os momentos de maior volatilidade dos ativos nos últimos anos.

Em 24 de junho de 2016, no dia seguinte à votação do Brexit, quando os britânicos referendaram a saída da União Europeia, o MSCI World Index, que reflete a variação de preços de papéis de companhias de grande e médio portes em 26 economias avançadas, caiu 4,9%. O Franklin K2 Alternative Strategies apresentou recuo de apenas 0,58%. 

Em 5 de fevereiro de 2018, o Dow Jones registrou uma das maiores quedas diárias de sua história, de 1,175 pontos ou 4,6%. A sessão representou um transbordamento das preocupações acumuladas na época de que a inflação nos EUA poderia acelerar e, com isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter de apertar a política monetária muito mais que o esperado. Na ocasião, o MSCI World Index caiu 3,13%. O fundo de alternativas líquidas teve queda de 0,71%.

“Temos visto bastante interesse dos investidores no Brasil para fundos de retorno absoluto e alternativos líquidos”, afirma Daniel Celano, presidente da Schroders no país. “A ideia é diversificar e não escolher um fundo só como melhor do mercado”, diz.

O fundo de alternativas líquidas da gestora britânica apresenta um retorno de 3,64% em 2019 até 13 de março. O S&P 500 avançou 12% no período. Mas o índice da bolsa de Nova York terminou 2018 com uma queda de 6,2%, enquanto o portfólio da Schroders recuou menos da metade, 2,37%. Segundo Celano, “quando você olha o fundo de alternativas líquidas a correlação com o mercado é baixa, mas isso não significa que vai sempre performar melhor, e sim que os movimentos vão ser mais balanceados”.

Para o gestor, o ambiente de juros baixos tende a impulsionar a busca por diversificação naturalmente. “Um pedaço da alocação deveria ir para os fundos que diminuem a correlação e minimizam choques dentro ou fora do país.”

Fonte: Valor Econômico

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