ATIVO REAL COMPÕE CARTEIRA DE INVESTIDOR

Com a Selic em 6,5% ao ano e taxas de juros nos países desenvolvidos ainda baixas, gestoras de patrimônio e serviços de private banking têm recomendado ao investidor compor o portfólio com ativos ligados à economia real para incrementar a rentabilidade. As opções vão desde operações estruturadas mais tradicionais com garantia em imóveis, passando por fundos de participação em empresas ("venture capital" e "private equity"), créditos podres, até financiamentos de turbinas de avião, locomotivas ou investimentos em royalties musicais.

Os estímulos monetários feitos pelos bancos centrais dos Estados Unidos, Europa e Japão nos últimos anos inflacionaram os preços dos ativos financeiros tradicionais a ponto de o risco não compensar a expectativa de retorno, diz Dany Roizman, sócio da Brainvest, butique de investimentos criada em 2003 em Genebra, por ex-sócios da Hedging-Griffo e que tem R$ 6 bilhões sob seu guarda-chuva. No Brasil, por seu lado, 2018 marcou o primeiro ano completo de Selic em um dígito. "A gente viu que o fato de ter estruturas de investimentos reais era, por incrível que pareça, a melhor opção que tinha."

Com escritórios também em São Paulo, Rio e Miami, ele conta que as primeiras operações que a Brainvest analisou foram empréstimos-ponte feitos a incorporadores espanhóis em 2015. Os investidores alocaram os recursos na fase anterior à licença para a aquisição de terras, viabilizando os projetos até que os bancos entrassem com o financiamento. Nessas estruturas, ele diz que os retornos ficaram entre 12% e 15% em dólar.

Outras estruturas, prossegue Roizman, envolveram o financiamento de 11 turbinas de Boeing 777 alugadas para a Air France, além da compra e aluguel de locomotivas na França e na Alemanha via contratos de leasing. E, junto com outro escritório de gestão de patrimônio, a Brainvest adquiriu uma carteira de royalties musicais com 100 mil títulos, que incluiu artistas como Whitney Houston, Bruno Mars ou Louis Armstrong.

"Esse é um segmento que rende 15% ao ano e que tem garantia perpétua, porque, diferentemente de remédios ou design de imóveis, os direitos de propriedade autoral não perdem a validade", afirma.

Enquanto havia a tríade boa qualidade de risco, liquidez e retornos na casa dos dois dígitos, as famílias de alto patrimônio não tinham razão para se dar ao trabalho de considerar estruturas alternativas na carteira, diz Sylvio Castro, responsável pela da área de gestão de investimentos do Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG).

"Agora esse investidor começa a perceber que de fato caminha para um cenário diferente por 'n' razões e que deve trabalhar com um juro real estruturalmente mais baixo", afirma Castro. "Nesse novo contexto se encaixa o aumento da demanda e das oportunidades, o cliente pessoa física está buscando mais investimentos com cara de economia real."

O Credit Suisse começou a testar esse tipo de oferta há cerca de cinco anos, com um fundo de dívida estressada, cujas garantias eram em ativos da economia real. A instituição também criou veículos para explorar oportunidades de desenvolvimento imobiliário, além de ter feito coinvestimentos em linhas de transmissão.

Mais recentemente, o banco concluiu, em parceria com a Delta Energia, a captação de um multimercado de R$ 1 bilhão para que uma comercializadora ligada à empresa pudesse aproveitar oportunidades nas transações de compra e venda no mercado livre ou fazer pré-pagamento de contratos. No exterior, o grupo suíço vem olhando alternativas em fundos de private equity, no mercado primário e secundário.

Castro conta que há cerca de quatro anos, a parcela de ativos ilíquidos na carteira dos investidores era ínfima e que atualmente esse tipo de alocação varia entre e 10% e 15%, dependendo da disposição do investidor de não usar os recursos por prazos longos. Algumas dessas opções só se tornam viáveis para quem pode abrir mão da liquidez entre 5 e 15 anos. No bloco de ilíquidos, a expectativa de retorno que o banco busca para os clientes é de IPCA mais um prêmio entre 8% e 15% ao ano.

A Investment One costuma participar de rodadas de captações de empresas fechadas na fase pré-IPO, conta o sócio-fundador Bernardo Parnes, expresidente do Deutsche Bank na América Latina. Carteiras de créditos vencidos, fundos imobiliários voltados para incorporação, que podem ter componente de dívida e de ações, ou de private equity, também entram nas avaliações da gestora montada em 2017, e que reúne cerca de R$ 2 bilhões.

Os setores de tecnologia e de saúde é que têm chamado a atenção da casa.
Como exemplo, ele cita ter criado um grupo para investir numa 'start-up' de hospitais de longa permanência. E, para ter uma avaliação mais profunda, a gestora põe algum sócio no conselho consultivo.

"Temos uma série de bancos que são os agentes de colocação das operações que nos oferecem, ou os próprios fundos 'distressed' porque sabem que somos fonte de investimentos", diz Parnes. O retorno esperado varia de 20% a 25% em dólar. "Como é equity, private equity ou venture capital pode ser mais ou pode ser negativo, pode ser zero", adverte. O tamanho da alocação varia de acordo com o estágio do investimento e do perfil do cliente. Quanto mais arriscado, menor será a parcela investida.

Para investimentos diretos, a fatia fica entre 2% e 5%, enquanto para aqueles que gostam mais de risco e preferem fundos de private equity, naturalmente mais diversificados, a participação pode ser maior. "O fundo tem 50 empresas lá dentro, às vezes tem um 'trak record' de 10, 15 anos, com retornos de 15% a 20% ao ano, daí eu me sinto confortável em alocar mais."

Alexandre Braga, vice-presidente do comitê de Gestores de Patrimônio da Anbima, diz que cada vez mais o investidor brasileiro vê em ativos reais, private equity e ações no exterior, uma forma de agregar um risco e retorno diferente do que tem no Brasil. A sua percepção é que as oportunidades, normalmente mais comuns nos mercados americano e europeu, agora aparecem também na Ásia.

Embora Roizman, da Brainvest, veja mais oportunidades no exterior, ele diz que no Brasil as alternativas têm ficado mais frequentes. A gestora participou de um projeto de eficiência energética, com a troca de iluminação de led de 11 shoppings, tendo como garantia o aluguel do condomínio. A operação resultou numa renda mensal por cinco anos entre 11% e 12% mais a correção pelo IPCA.

Outro negócio identificado localmente foi um empréstimo-ponte feito para um grupo de logística do Nordeste, que ficou sem dinheiro para terminar uma construção "built to suit" - contrato no qual o locatário encomenda a construção ou reforma do imóvel para determinado uso. Por seis meses, o rendimento líquido dessa operação foi de 23%, uma taxa generosa e com garantia de recebíveis "AAA", da multinacional Unilever.

Dentro do universo de ilíquidos, Sergio Penchas, também sócio da Investment One, diz preferir entrar junto com os fundos de private equity, assim se apropria dessa escala, e também busca opções no setor imobiliário participando da aquisição de imóveis casada com contratos de alocação de longo prazo, que proporcionam retorno real entre 7% e 8%.

Ele lembra, porém, que no Brasil há opções de dívida com classificação "AAA", que proporcionam retorno de 4,5% ao ano, mais a inflação, já líquido de imposto de renda, o que não é ruim, comparativamente ao magro CDI. "O brasileiro pode achar pouco porque está mal acostumado, mas nos Estados Unidos, um 'bond' de 5, 10 anos dá 1,70%. Há bons créditos no Brasil, mas o lado negativo é que não há muita liquidez se quiser vender."

Fonte: Valor Econômico

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