A HORA DE EXPANDIR HORIZONTES COM INVESTIMENTO NO EXTERIOR

Ainda que conjuntural e provocada por razões negativas do ponto de vista macroeconômico, a redução da taxa referencial de juros da economia brasileira para níveis historicamente baixos trouxe consequências positivas para a educação financeira do investidor local.

Temas como diversificação, risco e volatilidade de portfólio tornaram-se mais familiares. Em busca de retornos mais atrativos, elevou-se o apetite por investimentos alternativos à renda fixa tradicional. Somente em 2017, fundos multimercados apresentaram captação líquida superior a R$ 85 bilhões, quatro vezes o volume de 2016, segundo a Anbima. Em 2018, não obstante a maior volatilidade dos mercados domésticos a partir de maio, a captação líquida acumula saldo positivo de quase R$ 40 bilhões até julho.

A conjuntura brasileira também intensificou o apetite por uma alocação antes praticamente ausente das carteiras dos investidores locais: o investimento no exterior. Apesar de limitações legais, a alocação em estratégias internacionais cresceu rapidamente nos últimos meses, principalmente via fundos onshore, usados para receber recursos do aplicador brasileiro e investir em fundos ou ativos no exterior.

Somente nos "feeders" globais, veículos locais usados para investir 100% dos recursos em fundos no exterior, o número de cotistas hoje é praticamente dez vezes superior ao observado no fim de 2016.

O crescimento do interesse por estratégias globais justifica-se não apenas em função da queda do retorno nominal da renda fixa tradicional doméstica (custo de oportunidade), mas também pela necessidade de proteção dos portfólios contra a persistente instabilidade política nacional.

Estratégias globais, em geral, são praticamente imunes a essa instabilidade. Possuem, portanto, baixa correlação com os ativos locais e representam importante um instrumento de diversificação do portfólio do investidor.

O comportamento dos mercados acionários em maio de 2017 e maio deste ano, meses conturbados pelo noticiário político local, reflete bem essa dinâmica: enquanto o Ibovespa desabava mais de 4% e 10%, respectivamente, os principais índices acionários globais apresentaram desempenho positivo. Assim, portfólios com alocação em renda variável global passaram relativamente bem em ambos os episódios.

Cabe destacar que nas estratégias globais sem hedge cambial, aquelas nas quais o investidor fica exposto ao comportamento do dólar, a alocação representa uma importante proteção contra essas turbulências financeiras domésticas, que, usualmente, provocam valorização da moeda americana.

Diante de tantos benefícios, boa parte dos leitores deve estar agora se perguntando por que fundos com estratégias globais permanecem inacessíveis aos seus investimentos?

Primeiramente, há uma razão comportamental. A disseminação da diversificação internacional ainda sofre resistência por conta da influência do chamado "home bias" nas decisões de investimentos.

Investidores tendem a alocar a maior parte de seus recursos em ativos geograficamente mais próximos. Esse fato é ainda mais evidenciado no Brasil por razões históricas de fechamento de mercado, altas taxas de juros e desconhecimento do mercado internacional por grande parte dos investidores.

A segunda razão é regulatória. Apesar de alguma flexibilização nos últimos anos, a legislação ainda coloca algumas travas à alocação no exterior. Segundo a instrução CVM 554, fundos com estratégia 100% no exterior só podem ser acessados por investidores profissionais ou qualificados (aqueles que declarem pelo menos R$ 1 milhão em patrimônio financeiro ou que tenham sido aprovados em exames de qualificação técnica ou possuam certificações aprovadas pela CVM para atuar no mercado financeiro). Fundos destinados aos demais investidores devem respeitar o limite legal máximo de 20% do seu patrimônio alocado em ativos ou cotas de fundos no exterior. Portanto, ao investidor que não atende os requisitos de investidor qualificado, a alocação em estratégias globais fica restrita a fundos que façam um mix de estratégia doméstica (mínimo de 80% do patrimônio) e alocação no exterior (até 20%).

A boa notícia é que esse tipo de alternativa tem se popularizado e já se encontra disponível na maioria dos distribuidores. Muitos fundos multimercados destinados ao público geral já fazem uso da diversificação internacional, ainda que limitada ao teto de 20% do seu patrimônio.

E esses fundos, geralmente, apresentam desempenho recente mais positivo que fundos com estratégias exclusivamente locais. Ou seja, não obstante limitações regulatórias, há alternativa para qualquer investidor diversificar seu portfólio acessando estratégias globais.

Há de se reconhecer que os fatores conjunturais hoje presentes podem se alterar. A trajetória do juro brasileiro, em particular, é uma incógnita diante da incerteza associada à eleição presidencial em curso.

Ademais, nem sempre ativos internacionais apresentarão desempenho superior aos ativos brasileiros.

De todo modo, evidências teóricas e empíricas sugerem que há ganho de eficiência para as carteiras de investidores brasileiros ao se incluir ativos internacionais. E já há alternativa para qualquer investidor. É hora de expandir horizontes...

João Medeiros é gestor de fundos offshore e alocação no exterior na BB DTVM

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Fonte: Valor Econômico

Últimas Notícias

CM

FT

PE

WA

Curitiba - PR

Rua General Mario Tourinho, 1733 - Sala 405
Barigui – 80.740-000
F. +55 41 3339 3195
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

São Paulo - SP

Rua do Rócio 423 - Sala 705
Vila Olímpia – 04.552-000
F. +55 11 3582 55 31
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 Compliance

CECMCPNVMFR

Give your website a premium touchup with these free WordPress themes using responsive design, seo friendly designs www.bigtheme.net/wordpress